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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Manifesto TRADICIONALISMO E CATOLICISMO nº 01/2023 – Princípios para o Comunismo e o Socialismo Católico como alternativa socioeconômica nova para o Estado.

Considerando, em primeiro lugar, que, o objetivo aqui não é defender este ou aquele sistema socioeconômico como melhor para a estruturação da sociedade civil cristã ou laica e para a organização do Estado. Mas, essencialmente, apontar distorções e manipulações de informação e, então remediar a situação caótica política com o fornecimento de princípios católicos, para que a Religião Cristã de todos os tempos não seja instrumentalizada por homens heréticos e apóstatas na defesa de interesses pagãos e oligárquicos, como se a função fundamental do Estado fosse tutelar o bem de apenas um grupo privilegiado de pessoas “iluminadas” ou “agraciadas”, inclusive pelo dinheiro. Em todo caso, caberá ao Estado, aos povos e à sociedade civil definir seus rumos e estruturas de poder e funcionamento e organizar seu próprio Ordenamento Jurídico.

 

Considerando a recente instrumentalização da Religião Católica no cenário político brasileiro e internacional para o favorecimento dos mais variados grupos de interesse, por meio dos mais absurdos métodos de assédio eleitoral, manipulando e fanatizando as massas orientadas por mentiras e distorções.

 

Considerando a necessidade de esclarecer que o comunismo e o socialismo podem ser um conjunto de diferentes doutrinas e práticas sociais e econômicas.

 

Considerando que as mais variadas condenações realizadas por Papas contra o Comunismo e o Socialismo, possivelmente, foram motivadas por interesses privados, para favorecimento de determinados grupos e elites sociais, bem como para a manutenção de seus privilégios, à custa do bem comum da sociedade e em apoio à opressão e escravidão dos mais pobres, fracos, débeis e vulneráveis. Conforme erro explícito na Rerum Novarum: “O primeiro princípio a pôr em evidência é que o homem deve aceitar com paciência a sua condição: é impossível que na sociedade civil todos sejam elevados ao mesmo nível. É, sem dúvida, isto o que desejam os Socialistas; mas contra a natureza todos os esforços são vãos. Foi ela, realmente, que estabeleceu entre os homens diferenças tão multíplices como profundas; diferenças de inteligência, de talento, de habilidade, de saúde, de força; diferenças necessárias, de onde nasce espontaneamente a desigualdade das condições.” (Leão XIII, Encíclica Rerum Novarum sobre a condição dos operários, 15 mai. 1891, n. 9); como se todos os fatos, as realidades ou os males devessem, necessariamente, ser mantidos ou apoiados porque foram constatados em uma determinada pessoa ou em um grupo social qualquer!!! Ou seja, só porque a coisa existe, então deve continuar existindo. O que é um erro e sofisma grotesco: “o homem deve aceitar com paciência a sua condição”. A ordem social, a compreensão do direito natural e a realização da justiça não deveriam passar de um estado pior para outro melhor, mas deveriam permanecer tal qual. “diferenças necessárias, de onde nasce espontaneamente a desigualdade das condições”; outro sofisma, porque nem sempre o mais avantajado pelas reais e mencionadas diferenças é, necessariamente, o que se sai melhor em determinada ação, matéria ou eventual disputa, concorrência, jogo, conflito etc. Diferentemente das Leis da Natureza, estudadas pelas ciências naturais, em que “a determinada causa A sempre corresponde a consequência B”, no Direito, entretanto, não é assim; “ao fato A deve corresponder B, senão B, sanção S” (Vide literatura sobre Introdução ao Estudo do Direito).

 

Considerando que muitas condenações do Comunismo e do Socialismo como alternativas para a organização de vários Estados foram empreendidas com vistas à sobrevivência do Capitalismo, do Liberalismo Econômico, dos diversos grupos de interesse e ao estrangulamento do Poder Público e da máquina estatal.

 

Considerando o direito da Igreja Católica e de seus fiéis de se defenderem contra qualquer massacre, genocídio, totalitarismos, extremismos ou reinos da opressão e da exploração dos crentes, que têm deixado na história ruínas impregnadas do sangue de multidões de mártires, sempre que confiança demasiada fora depositada pela Igreja em Estados despóticos liderados a ferro e fogo por homens imprudentes, prepotentes e sanguinários.

 

Entende-se importante lembrar alguns princípios e fundamentos católicos:

 

1) É lícito considerar ou apoiar o Comunismo como sendo o melhor sistema socioeconômico, tal como descrito abaixo, e em respeito aos princípios da Religião Católica e de Direito Natural:

 

“Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém, e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo.

E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação.” (Atos dos Apóstolos 2, 42-47);

 

“A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade.” (Atos dos Apóstolos 4, 32-35).

 

2) É lícito considerar ou apoiar a Democracia Participativa como correto regime de governo, pelo qual o poder social emana do povo:

 

“Naqueles dias, como crescesse o número dos discípulos, houve queixas dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas teriam sido negligenciadas na distribuição diária. Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: ‘Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus, para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao ministério da palavra’. Esse parecer agradou a toda a reunião.” (Atos dos Apóstolos 6, 1-5).

 

3) A Igualdade Socioeconômica entre todas as pessoas e instituições civis é valor fundamental para a estruturação da sociedade e do Estado de direito:

 

“Existem também desigualdades iníquas que atingem milhões de homens e mulheres e se acham em contradição aberta com o Evangelho: ‘A igual dignidade das pessoas postula que se chegue a condições de vida mais justas e mais humanas. Pois as excessivas desigualdades econômicas e sociais entre os membros e povos da única família humana provocam escândalo e são contrárias à justiça social, à equidade, à dignidade da pessoa humana e à paz social e internacional’ (Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo atual, 07 dez. 1965, n. 29, apud Catecismo da Igreja Católica, n. 1938);

 

“Todos têm também o direito de fruir das condições de vida social criadas pelos resultados da consecução do bem comum. Soa ainda atual o ensinamento de Pio XI: ‘Deve procurar-se que a repartição dos bens criados seja pautada pelas normas do bem comum e da justiça social. Hoje, porém, à vista do clamoroso contraste entre o pequeno número dos ultra-ricos e a multidão inumerável dos pobres, não há homem prudente que não reconheça os gravíssimos inconvenientes da atual repartição da riqueza’ (Pio XI, Carta enc. Quadragesimo anno, 58: AAS 23 (1931) 197)” (Pontifício Conselho “Justiça e Paz”, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 167, § 2º).

 

4) A Igreja Católica não possui autoridade ou competência para regular a vida social e econômica da ordem temporal para além das exigências de sua Religião e do Direito Natural por ela professados:

 

“Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam. Se o cristão é obrigado a ‘admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais’ (cfr. Concílio Vaticano II, Const. Past. Guadium et spes, n. 75), é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são ‘negociáveis’.” (Congregação para a Doutrina da Fé, Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, 24 nov. 2002, n. 3).

 

5) A Igreja Católica não tem partidos políticos, nem candidatos a cargos eletivos e nem está vinculada ou aliada a determinado sistema socioeconômico, ainda que ensine que seus fiéis devam agir de maneira coerente com a fé que professam:

 

“A Igreja, que em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana.” (Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes, n. 76, § 2º).

 

6) Devem-se distinguir as atividades e os posicionamentos ou opções que os fiéis da Igreja realizam em próprio nome daquelas atividades que estes mesmos fiéis exercem por ofício em nome da Igreja e em união com seus respectivos Pastores (Princípio da Separação das Entidades):

 

“É de grande importância, sobretudo onde existe uma sociedade pluralística, que se tenha uma concepção exata das relações entre a comunidade política e a Igreja; e ainda que se distingam claramente as atividades que os fiéis, isoladamente ou em grupo, desempenham em próprio nome como cidadãos guiados pela sua consciência de cristãos, e aquelas que exercitam em nome da Igreja e em união com os seus pastores.” (Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, n. 76).

 

7) A administração da ordem temporal, por direito católico e apostólico, é atribuição do Laicato (fiéis leigos), e não do Clero (padres, bispos e papas):

 

“Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, consequência ou circunstância.” (Bento XVI, Discurso aos prelados da CNBB, Regional Nordeste 5, em visita ad limina apostolorum, 28 out. 2010, pp. 1-2).

 

Santo Antônio de Pádua – RJ, 27 de fevereiro de 2023.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Manifesto TRADICIONALISMO E CATOLICISMO nº 1/2020 – Sobre o Ciclo Catequético Básico


Apresenta os catecismos considerados básicos e essenciais e maneiras de estudá-los para além da simples leitura.

Santo Antônio de Pádua – RJ, 04 de janeiro de 2020.

CONSIDERANDO que existe um conjunto básico de catecismos essenciais e indispensáveis para o aprendizado e ensino da reta Doutrina Cristã, conforme o costume transmitido e recebido por muitas gerações de católicos e por nós.

CONSIDERANDO que a maioria ou a quase totalidade destes catecismos, bem como seu conteúdo, está ficando esquecida e relegada ao descaso, sendo imensamente difícil a aquisição de tais catecismos em impressos novos ou usados.

CONSIDERANDO como extremamente necessário o conhecimento da Doutrina de Jesus Cristo por meio de Sua Igreja.

CONSIDERANDO a adulteração da Doutrina Cristã que está sendo realizada largamente, inclusive por meio de catecismos apresentados como “católicos”; e a larga propagação de heresias e ensinamentos imorais por leigos, Padres, Bispos etc, inclusive em ambientes, pregações e documentos também tidos por “católicos”.

Tradicionalismo e Catolicismo resolve manifestar quanto segue:

1) Adotamos e defendemos o Ciclo Catequético que recebemos de nossa Paróquia de origem, do Excelentíssimo e Reverendíssimo Bispo Antônio de Castro Mayer, dos Padres tradicionalistas de Campos, de nossos familiares e amigos. Este Ciclo Catequético é constituído pelos seguintes catecismos:

- Catecismo 1: a ser definido pelo Padre;

- Catecismo 2: denominado “Pequeno Catecismo da Doutrina Cristã”;

- Catecismo 3: denominado “Resumo da História Sagrada”;

- Catecismo 4: denominado “Segundo Catecismo da Doutrina Cristã” ou popularmente “Catecismo do Crucificado”;

- Catecismo 5: denominado “História Sagrada do Antigo e do Novo Testamento” ou simplesmente “História Sagrada”, de autoria do Frei Bruno Heuser OFM;

- Catecismo 6: denominado “Catecismo de São Pio X” ou “Catecismo Maior de São Pio X” ou “Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã”.

2) Todos os catecismos acima listados são considerados fundamentais, essenciais e indispensáveis para o ensino e o aprendizado básico da Doutrina Cristã.

3) O catecismo 1 é o único utilizado antes da Primeira Comunhão e, por isso, deve ser apto a preparar crianças e adultos para a mesma. Geralmente é de Perguntas e Respostas, e seu conteúdo costuma ser breve, ou um resumo do catecismo 2. O catecismo 1 deve ser arbitrado pelo Padre responsável pela comunidade, tendo em vista ser este quem vai definir o momento oportuno para conferir a primeira comunhão.

4) Tendo feita a Primeira Comunhão, deve-se imediatamente adquirir o catecismo 2 e iniciar seu estudo. O catecismo 2 é estruturado de tal forma que suas lições são alternadas entre textos e perguntas/respostas.

5) Concluído o estudo do catecismo 2, passa-se para o catecismo 3, que é estruturado em puro texto e consiste numa versão reduzida e resumida do catecismo 5.

6) O catecismo 4 é estruturado integralmente em perguntas e respostas. Assim como no caso de todos os catecismos cujos conteúdos sejam organizados em perguntas e respostas, na hora de tomar a lição, o catequista faz a pergunta e o aluno a responde sem olhar ou ler o escrito. Este catecismo é famoso pelo crucifixo em sua capa, do qual deriva a designação popular de “Catecismo do Crucificado”.

7) O catecismo 5, normalmente conhecido como “História Sagrada”, constitui um texto um pouco mais extenso que os catecismos anteriores, sendo excelente resumo dos livros históricos da Bíblia; e por isso mesmo, é também excelente preparação para o início da leitura bíblica direta.

8) O catecismo 6 é totalmente organizado em perguntas e respostas. É um resumo do “Catecismo Romano” e finaliza o Ciclo Catequético Básico.

9) Os catecismos 1, 2, 4 e 6 tratam mais diretamente da doutrina. Ao passo que os catecismos 3 e 5 expõem a história contida na Bíblia.

10) As lições são previamente marcadas e determinadas pelo Padre ou catequista. Compete ao aluno estudá-la em seu domicílio e compete aos Padres e catequistas aferirem a lição em dia e hora combinados com o aluno, que geralmente costuma ser aos sábados ou domingos nas aulas específicas de catecismo, conforme o costume local.

11) Nas lições em Pergunta/Resposta, o aluno deve responder ao catequista no momento de aferir a lição. Nas lições em puro texto, o catequista faz a leitura da lição e a interrompe em trechos por ele escolhidos; no momento em que o catequista interrompe a leitura, o aluno deve continuar o texto, falando-o ao catequista, sem olhar o escrito, até que o catequista retome a leitura. Dessa forma, as perguntas devem ser decoradas e os textos devem ser lidos quantas vezes forem necessárias para memorização por parte do aluno. Se o catequista entender que o aluno não estudou ou não aprendeu suficientemente a lição, manda que o aluno repita o estudo da lição, que será então aferida novamente na próxima oportunidade.

12) A família e o lar são indispensáveis ao aluno, pois é neste ambiente doméstico que ele estuda e aprende as lições dos catecismos. Nas igrejas, capelas e salões paroquiais são ambientes onde ocorrem as aulas de catecismo ministradas por um Padre ou catequista designado. São nestes últimos ambientes em que o catequista tomará a lição que os alunos estudaram em suas casas, para avaliá-los. A tomada de lição é individual e cada aluno deve esperar sua vez. Geralmente as lições são tomadas ao final das aulas de catecismo. Assim, um é o assunto da aula comum de catecismo e outro o assunto da lição individual do aluno.

13) Quando o aluno não domina a leitura – o que é bastante comum entre crianças – ele necessitará que seus familiares estudem com ele as lições dos catecismos. Neste processo, o responsável vai gradativamente lendo os trechos da lição e, em seguida, manda que o aluno repita o que o responsável falou. Estas alternâncias de fala e audição entre o responsável e o aluno prolongam-se pelo tempo que for necessário até que o aluno consiga memorizar a lição e seja capaz de dizê-la sem olhar o escrito.

14) Enquanto o aluno for menor de dezoito anos e estiver na dependência de seus responsáveis, nunca é tarde para ingressar no Ciclo Catequético Básico. Contudo, recomenda-se que, no máximo aos seis anos de idade já esteja estudando o catecismo 1; aos sete anos de idade, aproximadamente, faça sua Primeira Comunhão e inicie o estudo do catecismo 2 e, sucessivamente, dos demais catecismos; e, aos dezessete anos, já esteja familiarizado com o catecismo 6 e concluído o Ciclo Básico.

15) Como os referidos catecismos são considerados aqui textos fundamentais, entende-se que devem ser recordados e relidos por todos, inclusive por aqueles que os estudaram na infância.

16) E, tendo em vista a importância dos referidos catecismos, o blog resolve que fará todo o possível para disponibilizar tais conteúdos a seus leitores.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Manifesto TRADICIONALISMO E CATOLICISMO nº 1/2019 – Sobre o movimento Tradicionalismo e Catolicismo


Santo Antônio de Pádua – RJ, 14 de maio de 2019

1) Tem como objetivo geral promover o Catolicismo Tradicional e a Moral, opondo-se ao progressismo religioso e ao modernismo teológico.

1. Definições

2) Tradição: 1 herança cultural passada oralmente através das gerações; 2 conjunto dos valores religiosos, morais, espirituais etc, transmitidos de geração em geração.

Tradicionalismo: forte ligação com as tradições. Mobilidade que se propõe à defesa da Tradição.

Tradição Católica: O conjunto de tudo aquilo que sempre fora objeto de Fé definitiva, ou sempre fora tido como necessário à salvação eterna, ou sempre fora tido como necessário para manutenção da Fé Católica e Apostólica; explícito na profissão de Fé, ou implícito na práxis constante, ou na maneira de ser, da Igreja; crido e conservado por todos os católicos dispersos pelo mundo, ou pelo consenso universal dos fiéis da Igreja Católica; em todas as épocas e em todos os lugares; ainda que não esteja contido na Escritura Sagrada (Bíblia) e ainda que não tenha sido declarado em juízo solene pelo Magistério Eclesiástico. Juntamente com a Sagrada Escritura, a Tradição constitui parte da Revelação Divina, e fora transmitida pelos Apóstolos daquilo que receberam dos ensinamentos ou exemplos de Jesus Cristo ou sob moção do Espírito Santo. Ela é objeto de conservação e transmissão pela Igreja Católica: “a Igreja, na sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo quanto acredita” (Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 8). Esta Tradição (com “T” maiúsculo) se distingue das tradições eclesiásticas católicas pelo caráter definitivo, dogmático e estável da primeira e pela transitoriedade, não obrigatoriedade, ou reformabilidade destas últimas.

“E na própria Igreja Católica deve-se procurar a todo custo que nos atenhamos ao que, em toda a parte, sempre e por todos foi professado como de fé, pois isto é próprio e verdadeiramente católico, como o diz a índole mesma do vocábulo, que abarca a globalidade das coisas. Ora obtê-lo-emos se seguirmos a universalidade, a antiguidade e o consentimento. Pois bem: seguiremos a universalidade se professarmos como única fé a que é professada em todo o orbe da terra pela Igreja inteira; a antiguidade, se não nos afastarmos do sentir manifesto de nossos santos pais e antepassados; enfim, o consentimento, se na mesma antiguidade recorrermos às sentenças e resoluções de todos ou quase todos os sacerdotes e mestres” (S. Vicente de Lérins, Comonitório: NABETO, C. M. A Fé Cristã Primitiva, n. 302).

2. Alguns posicionamentos

3) Não se reconhece o progressismo como verdadeiro catolicismo.

4) Uma pessoa taxada de “progressista” pode ser mais católica que outra taxada de “tradicionalista”, porém uma Igreja progressista jamais, e em hipótese alguma, é mais católica que uma Igreja tradicionalista. São duas Igrejas necessariamente distintas em Fé, Doutrina, Moral, Liturgia, Espiritualidade etc – não são unidas.

5) A ortodoxia de uma Igreja, seja ela tradicionalista ou seja ela progressista, se julga pela Fé professada e vivida nos atos comuns (ou comunitários) [os atos da comunidade eclesial têm que ser coerentes com a Fé professada], pelo ensino da Doutrina Católica e pela sua prática em comunidade, ou, pelo modo de ser institucional ou institucionalizado.

Tanto se for progressista quanto se for tradicionalista, se institucionalmente decair da Fé, ou não ensinar ou não praticar institucionalmente a Doutrina Tradicional da Igreja Católica, ou se vier a tornar-se um lugar sagrado tomado pela abominação da desolação e pela profanação sistêmica, então não pode ser considerada Igreja verdadeira, ainda que sua sucessão apostólica seja válida. Então, ter-se-ia uma falsa Igreja católica.

Porque já está prevista a Grande Profanação do lugar santo, isto é, do templo de Israel, da Jerusalém judaica, dos templos católicos e a queda de inúmeras Igrejas orientais e ocidentais, outrora verdadeiramente católicas - que passam a ser dominadas pelos pagãos, infiéis, modernistas infiltrados e demônios (destruidores da religião, do templo, da Liturgia e dos lugares e coisas sagradas) - “morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis” (Ap 18, 2). As grandes profanações anunciam o fim do mundo, mas também o extermínio de um povo por outro ao longo da história. A Igreja continuará em algum lugar, mas muitos povos e Estados serão exterminados e também perderão a Fé:

“E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará... Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9, 27) – o leitor entenda bem -, então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas... Então, se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isso fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos. Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais... Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mt 24, 12-28, grifo nosso).

Quando virdes a abominação da desolação no lugar onde não deve estar – o leitor entenda -, então os que estiverem na Judéia fujam para os montes... E se então alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo; ou: Ei-lo acolá, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão sinais e portentos para seduzir, se possível for, até os escolhidos. Ficai de sobreaviso. Eis que vos preveni de tudo.” (Mc 13, 14-23, grifo nosso).

Quando virdes que Jerusalém foi sitiada por exércitos, então sabereis que está próxima a sua ruína. Os que então se acharem na Judéia fujam para os montes... e Jerusalém será pisada pelos pagãos, até se completarem os tempos das nações pagãs” (Lc 21, 20-24, grifo nosso).

“Ouvi outra voz do céu que dizia: Meu povo, sai de seu meio para que não participes de seus pecados e não tenhas parte nas suas pragas, porque seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das suas injustiças.” (Ap 18, 4-5, grifo nosso).

Deus jamais tolera a profanação (Lv 10, 1-11; Mt 21, 12-13; Mc 11, 15-17; Lc 19, 45-46; Jo 2, 13-17; 1 Cor 11, 17-34 etc), e por isso, manda que Seu povo saia imediatamente, abandone rapidamente e sem escrúpulos o lugar santo sistematicamente profanado, conforme visto acima. O mesmo valendo para a Liturgia e atos de culto.

6) Não existe Igreja tradicionalista. O termo “tradicionalista” fora inventado para designar ou diferenciar aqueles que desejavam permanecer fiéis à Tradição Católica daqueles que promoviam reformas radicais e destrutivas dentro das instituições católicas. Estes últimos passaram a ser conhecidos por “progressistas”, que em nome de progresso, adaptação aos tempos modernos, abertura ao mundo, desenvolvimento e evolução, não respeitaram nem a imutável Doutrina da Fé, o Culto oferecido a Deus, os lugares santos, e, ao invés, promoveram suas reformas destrutivas da religião católica, isto é, a “auto-demolição da Igreja” e a destruição da tradicional maneira de ser da Igreja. Tradicionalistas são os que se recusaram a reformar e destruir o catolicismo e o ser da Igreja Católica, fazendo frente e oposição aos progressistas. Igreja tradicionalista não é outra coisa senão a continuidade no tempo da Igreja pré-Concílio Vaticano II. Como as radicais reformas progressistas foram apoiadas por autoridades eclesiásticas do Vaticano e mesmo por Papas, obviamente isto suscitou nos tradicionalistas uma postura de resistência, desobediência e afastamento em relação às autoridades romanas e a todos os que aderiam à destruição da Igreja Católica.

7) Nem todas as reformas são inadmissíveis, senão aquelas que, piorando o estado das coisas, violam o dogma, a Moral – fazendo sucumbir a Fé e desacreditando a Revelação Divina -, prejudicam a salvação eterna das almas, induzem e encorajam as pessoas a cometerem pecados, relaxam e distraem as pessoas, destroem a piedade e o respeito para com Deus, profanam os atos de culto e os lugares sagrados – sacrilégios -, destroem as instituições da Igreja e ainda a desedificam, desqualificam-na e denigrem sua imagem no mundo o qual ela deveria salvar, transformando a seriedade da religião num passatempo, numa manifestação cultural, artística ou folclórica, ou numa brincadeira e deboche para com Deus.

8) Não é permitido a um católico ser um “caniço agitado pelo vento” e não se deve andar com as modas, pois a Igreja não tem modas, mas deve o católico fundamentar-se em sólida e imutável base doutrinária.

“Pois a doutrina da fé, que Deus revelou, não foi proposta como uma descoberta filosófica a ser aperfeiçoada pelas mentes humanas, mas foi entregue à Esposa de Cristo como um depósito divino, a ser por ela fielmente guardada e infalivelmente declarada. Daí que sempre se deve manter aquele sentido dos sagrados dogmas que a santa mãe Igreja uma vez declarou, e jamais, nem a título de uma inteligência mais elevada, é permitido afastar-se deste sentido. ‘Cresçam, pois, e multipliquem-se abundantemente, tanto em cada um como em todos, tanto no indivíduo como em toda a Igreja, segundo o progresso das idades e dos séculos, a inteligência, a ciência e a sabedoria, mas somente no gênero próprio dela, isto é, no mesmo dogma, no mesmo sentido e na mesma sentença’ (Vicente de Lérins, Commonitorium primum 23, n. 3).” (Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius, 3ª sessão, 24 abr. 1870, cap. 4: Dezinger-Hünermann, 3020).

“Se alguém disser que, às vezes, conforme o progresso das ciências, se pode atribuir aos dogmas propostos pela Igreja um sentido diverso daquele que ensinou e ensina a Igreja: seja anátema.” (Concílio Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius, 3ª sessão, 24 abr. 1870, Cânones, Sobre fé e razão, cân. 3: Dezinger-Hünermann, 3043).

3. Profissão de Fé

9) Nossa profissão de fé define nosso ponto de vista religioso e é o Credo Católico, acrescido, ao final, por três parágrafos de aprofundamento técnico-teológico:

“Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus. E encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e Se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há-de vir em Sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só baptismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há-de vir. Amém.

Creio também firmemente em tudo o que está contido na palavra de Deus, escrita ou
transmitida pela tradição, e é proposto pela Igreja, de forma solene ou pelo Magistério ordinário e universal, para ser acreditado como divinamente revelado.


De igual modo aceito firmemente e guardo tudo o que, acerca da doutrina da fé e dos costumes, é proposto de modo definitivo pela mesma Igreja.

Adiro ainda, com religioso obséquio da vontade e da inteligência, aos ensinamentos que o Romano Pontífice ou o Colégio Episcopal propõem quando exercem o Magistério autêntico, ainda que não entendam proclamá-los com um acto definitivo.”.

Acrescentamos ainda que ninguém é, e nem poderá ser, obrigado a obedecer qualquer autoridade que seja, e nem a aderir ao que, sob qualquer forma de autoridade, é imposto ou proposto, em tudo aquilo que seja prejudicial ou destrutivo da Fé Católica ou que ponha em risco a salvação eterna, tendo em vista que todos, pastores e leigos, estão subordinados à Lei Divina da qual a Igreja verdadeira e a legítima autoridade são fiéis guardiãs e infalíveis transmissoras.